Terça-feira, 22 de Maio de 2012

'Sr. Q, D. Ofélia e Josefa Fina' - Animação de Rua em Setúbal












O Teatro do Elefante integra as Comemorações do Dia Mundial da Criança, com Sr. Q, D. Ofélia e Josefa Fina – animação de rua. Com início marcado para as 17 horas no Parque do Bonfim em Setúbal, às três figuras clown juntam cabeçudos, música e muito mais.

Senhor Q, Dona Ofélia e Josefa Fina são o elenco principal desta animação de rua e do espaço público, em geral. Figuras do teatro cómico, por excelência, são os protagonistas dos vários números e quadros. Apresentam-se a solo ou em cenas de conjunto, no desenrolar dos acontecimentos e ações. Interagem, ora entre si, ora com os espetadores, que participam também, dessa forma, na recriação das diferentes situações propostas. Centrada nas figuras de três clowns, a animação na rua recria a ambiência das representações do teatro itinerante e o imaginário popular, aliando a estas tradições as técnicas contemporâneas de clown e do novo circo.

O divertido elenco é composto pelo Senhor Q mentiroso de profissão é, também, um contador de histórias antigas. Dedica-se à modelagem de balões, quando o vento permite. Já experimentou soprar fogo – coisa que faz por hobby ou, apenas, prazer. É igualmente mobilizador de massas de gente, para o que se faz sempre acompanhar de um megafone verde. Dona Ofélia é profissional da promoção de boas práticas, nomeadamente da ecologia e do respeito pelo meio ambiente, em geral. Desloca-se de bicicleta, gosta de plantas e das energias renováveis, principalmente para a secagem da roupa. Josefa Fina é caricaturista e exibicionista dos seus dotes de desenho e pintura. Ainda se juntam as Meninas, que desfilam, agigantando-se no público, dançam, brincam e provocam a interação de todos aqueles que se encontram nas ruas.

DATAS | HORAS | LOCAIS
24 maio | 15h | Casa da Baía e Largo Fonte Nova, Setúbal
2 junho | 17h | Parque do Bonfim, Setúbal | 'Há Festa no Parque'
   - BANCA DO ELEFANTE _ DAS 10 ÀS 19H

PÚBLICO
todos | ENTRADA LIVRE

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA 
Intérpretes | Fernando Casaca | Lisandra Branco | Rita Sales | Ariana Brito | Tiago da Silva
Técnica | Tiago da Silva
Comunicação | Marlene Aldeia

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Poesia para bebés em Cascais



 
O Teatro do Elefante apresenta Poema Ante Pé - sessões de poesia para bebés, no Centro Cultural de Cascais pelas 11 e 16 horas, no dia 12 de maio. O projeto é dirigido para bebés a partir dos 3 meses e seus acompanhantes, inclusivamente em contexto escolar.

A poesia tem uma extraordinária característica: a de nos provocar os sentidos e os pensamentos na procura de significados, muitas vezes, pouco lineares. Ela, a poesia é também feita de sonoridades, e deste modo é percecionada pelos bebés: som-voz, som-falado; som-cantado, som-silêncio.

Esta proposta de animação para bebés utiliza como recurso um livro-mala onde se recriam elementos, figuras e espaços, tal como se reescrevem palavras do poema. As sessões de poesia para bebés representam uma abordagem multidisciplinar onde as palavras, a voz, a música, os objetos, e o corpo se interrelacionam contribuindo para um produto artístico dirigido aos mais pequenos.

Poema Ante Pé é um conceito de Rita Sales e com interpretação e conceção plástica de Lisandra Branco. Os bilhetes variam entre os 4 e os 7 euros e as inscrições podem ser feitas através dos contatos do Teatro do Elefante (265 535 640, 927 751 881 ou elefante@teatrodoelefante.net). Podem adquirir-se os bilhetes no próprio dia, todavia as lotações são limitadas a 15 bebés, pelo que se aconselha a reserva com antecedência.

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Sr. Q e D. Ofélia comemoram 25 de Abril



O Teatro do Elefante integra as Comemorações municipais da Festa da Liberdade, com a Animação de Rua Sr. Q e D. Ofélia, desta vez dirigida para crianças. Com início marcado para as 10.30 horas na Praça Bocage em Setúbal, as duas figuras juntam algumas novidades, cabeçudos, música e muito mais.

A animação de rua é, por natureza, uma atividade de caráter informal, adaptável a diferentes circunstâncias, ambientes e objetivos. Desde cedo, no contexto da atividade regular do Teatro do Elefante, iniciada em 1997, criamos e recriamos lugares, acontecimentos históricos ou ficcionados. Festejamos, desfilando ou juntando públicos em praças, parques, ruas, avenidas ou mesmo espaços comerciais. O mote é dado pelo sentido da Festa – Festa da Liberdade - a par da História, do Ambiente e a Vida dos Homens e Mulheres que contribuem para um mundo melhor. Juntamos música, cabeçudos e muitos jogos às figuras Sr. Q e D. Ofélia, criando momentos inesquecíveis, de divertimento para todas as idades.

Sr. Q e D. Ofélia desfilam. Interagem com os moradores. Param. Instalam os aparatos de animação, que sempre os acompanham. Surpreendem, com jogos e gagues que envolvem os espetadores. Divertidos e cheios de imaginação, adaptam-se ao ambiente por onde passam e deixam todos de boca aberta.  Ele com o seu megafone incentiva e convida ao divertimento, ela passeia na sua bicicleta ornamentada de flores e moinhos de papel, distribui doses intensas de sorrisos e alegria. Fazem paradas com música, cantam, dançam, para além dos verdadeiros truques que escondem nos bolsos – ou malas de viagens.

A Animação de Rua pelo Teatro do Elefante tem  entrada e participação gratuita para todos, e está integrada nas Comemorações do 38º Aniversário do 25 de Abril.

Terça-feira, 27 de Março de 2012

A NOSSA MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO

As recentes notícias, oriundas da direção-geral das artes, que revelam a decisão de não dar continuidade aos apoios pontuais e anuais, no corrente ano, não surpreendem. Elas limitam-se a confirmar aquilo que suspeitávamos há muito, revelando simultaneamente as próximas medidas do governo de Portugal, para o setor das artes e das atividades culturais, em geral. Pré-anunciam desemprego, por provocarem a morte de muitos projetos. Instigam à estagnação. E certamente, em muitos casos, de forma aleatória, vamos assistir ao retrocesso em dinâmicas criativas de caráter mais inovador, que vão descer a níveis de rigor e qualidade insustentáveis face aos critérios do nosso mundo, num campo de atividade crucial para o desenvolvimento humano e social.

É hoje largamente reconhecido que a cultura constitui um fator que está no centro do desenvolvimento e da coesão social. Que a criação artística promove a criatividade. E que esta, por sua vez, contribui ativamente para o incremento de novas formas de olhar e agir sobre a realidade. Questionando e transformando metaforicamente a vida e o mundo, a humanidade cria novos olhares, inventa e faz descobertas essenciais com repercussões em todos os sentidos da realidade humana. A criatividade melhora a produtividade, estimulando a invenção e a descoberta de novos meios e modos de produção, por exemplo. Estas são algumas das razões que justificam que o direito à cultura esteja consagrado na Constituição Portuguesa. Compete, por esta via, ao Estado investir na atividade cultural, nas artes e no património. O investimento na criação artística é uma responsabilidade da própria democracia, garante a igualdade de oportunidades quer para a preservação do património existente, quer para a criação do novo, visando promover o acesso e a fruição cultural.

O que está em causa é, por conseguinte, a democracia. O serviço público. A cidadania.

Enquanto cidadãos não ficamos indiferentes a mais esta medida lesiva para a sociedade portuguesa. Lesiva para o setor artístico, para os seus profissionais, jovens e menos jovens. Lesiva para os cidadãos, em geral, porque estas políticas geram pobreza, destroem. Limitam a liberdade.

 

Urgently looking for partners for an International Project Grant PT | EN | FR



PT

O Teatro do Elefante, estrutura professional sediada em Portugal desde 1997, procura parceiros para Candidatura a Apoio a projeto à Fundação Anna Lindh.

CONTEXTO DO PROJETO
A demonstração da capacidade evidenciada por cada região ou país para incentivar e otimizar os recursos gerados pela criatividade, nos diversos planos da atividade humana, constitui um importante critério para aferição do grau de desenvolvimento de uma sociedade. Consequentemente, a criatividade representa, em si mesma, um fator de desenvolvimento social e comunitário. Por seu turno, é nas práticas artísticas que encontramos os elementos fundamentais para o desenvolvimento da criatividade humana: no seu potencial transformador alicerçado na permanente experimentação sobre os materiais e as linguagens, bem como no seu legado patrimonial cultural, de que o teatro é um dos principais depositários.
Desde a sua origem, na Grécia antiga, sob a estrutura formal que ainda hoje reconhecemos, o teatro mantém um compromisso com a comunidade (polis), de que não prescinde em momento algum. É, por conseguinte, um lugar de debate. Um espaço de festividade e celebração. E uma forma de questionar a vida e o mundo em que vivemos. É, igualmente, um fator de coesão e elevação social: o teatro diverte e ensina. Valoriza as pessoas, individual e coletivamente, enquanto seres humanos.

TEMA
A Odisseia de Homero é um texto clássico cuja leitura despoleta um vasto conjunto de questões sobre as mais variadas temáticas, caras aos cidadãos do mundo contemporâneo. Apesar da sua antiguidade, as páginas desta obra suscitam ainda hoje o debate e a reflexão.Centrada no espaço geográfico definido pelo mar mediterrâneo, a viagem do rei de Ítaca, suscita múltiplas interpretações sobre os pilares em que ancoramos a cultura europeia, assim como os diversos países das margens do mediterrâneo: o sul da Europa, o médio oriente e o norte de África.

O PROJETO
Unindo a criação artística contemporânea ao texto clássico de Homero, propomos um plano de ação a desenvolver conjuntamente que estimule a troca de ideias, o cruzamento de experiências, o entendimento e a colaboração entre diferentes grupos culturais e étnicos, com vista a aproximar os povos do norte e do sul do mediterrâneo através das suas culturas.O projeto integra workshops, debates e um conjunto de encontros de trabalho entre os parceiros, através dos quais se pretende reunir sinergias e potenciar os recursos endógenos para fomentar uma verdadeira aproximação cultural, nomeadamente entre as cidades de onde são originárias as organizações parceiras. As atividades integradas no projeto são agendadas prioritariamente em períodos de realização de festivais, encontros e mostras artísticas organizados pelos parceiros, com o objetivo de facilitar a difusão das ações, o seu impacto e eventual replicação, otimizando a concentração de recursos, comum a esse género de organizações.

PARCERIAS
O Teatro do Elefante está disponível para preencher os formulários e fazer a gestão do projeto, prevendo contar com o apoio de parceiros europeus e da costa do Mediterrâneo, particularmente entidades culturais profissionais que organizem festivais e outros eventos no país de origem.
A Fundação Anna Lindh apoia um máximo de 80% dos custos do projeto entre os € 20.000,00 e € 35.000,00. O restante deve ser co-financiado pelos candidatos.
Para mais detalhes sobre o apoio da Fundação Anna Lindh, siga o link.

O prazo limite para as inscrições é 16 de abril, agradeço se as pessoas | entidades interessadas nos contactem brevemente.

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EN

Teatro do Elefante, a professional structure based in Portugal since 1997, is looking for partners for Collaboration Grant from the Anna Lindh Foundation.

PROJECT’S CONTEXT
The demonstration of the capacity evidenced by each region or country to incentivize e optimize the resources generated by the creativity, in the various fields of the human activity, constitutes an important criteria to the measurement of the development degree of a society. Consequently, the creativity represents, in itself, a factor on social and communitarian development. However, it’s in the artistic practices that we find the fundamental elements to the development of human creativity: in its transformer potential grounded in the permanent experimentation on materials and languages; as well as in its patrimonial cultural legacy, where Theatre is one of its main trustees.

Since its origin, in ancient Greece, under the formal structure that we still acknowledge today, theatre keeps an indispensable compromise with the community. Its, consequently, a place for debate. A space of festivity and celebration. And a way to question the world and life where we live. Its, also, a factor of social elevation and cohesion: the theatre amuses and teaches. Individual or collectively, it values people as human beings.

THEME
The Odyssey of Homero is a classic text whose reading triggers a wide range of issues on various topics, dear to the citizens of the contemporary world. Despite its antiquity, the pages of this book still raise debate and reflection. Centered in the geographic space defined by the Mediterranean sea, the king of Ithaca’s journey, raises multiple interpretations about the pillars in which we anchor the European culture, as well as the various countries of the Mediterranean shores: southern Europe, the Middle East and North Africa.

THE PROJECT
Uniting the contemporary artistic creation with the Homero’s classical text, the plan is to develop jointly to foster the exchange of ideas, the intersection of experience, the understanding and cooperation between different cultural and ethnic groups, in order to bring the peoples of the north and south of the Mediterranean through its cultures. The project includes workshops, discussions and a series of meetings that will harness synergies and leverage endogenous resources to foster a true cultural rapprochement, especially between the cities from which originate the partner organizations. The activities included in the project are scheduled primarily during periods of holding festivals, artistic shows and meetings organized by partners, in order to facilitate the dissemination of actions, their impact and possible replication, optimizing the concentration of resources, common to this kind of organizations.

PARTNERSHIPS
The Teatro do Elefante is available to fill the forms and to do the project management, planning to rely on the support of European partners and the Mediterranean coast, particularly professional cultural entities that organize festivals or other events in the country of origin.
The Anna Lindh Foundation supports a maximum 80% of project costs between € 20,000.00 and € 35,000.00. The remainder must be co-financed by the candidates.
For more details on the Support the Anna Lindh Foundation, follow the link.

The deadline for applications is april 16th , I would appreciate if the people|entities interested contact us briefly.
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­ FR

Le Teatro do Elefante, structure professionnelle basée au Portugal depuis 1997, est à la recherche de partenaires pour soutien collaboration de la Fondation Anna Lindh.

CONTEXTE DU PROJET
La capacité, rendue évident en chaque région ou pays, de stimuler et d’optimiser les ressources à travers la créativité, aux divers plans de l’activité humaine, constitue un important critère pour l’étalonnage du étage de développement d’une société. En conséquence, la créativité représente en soi-même un facteur de croissance sociale et communautaire. A son tour, c’est dans les pratiques artistiques que nous trouvons les éléments fondamentaux pour le développement de la créativité humaine : soit-il dans le potentiel transformateur appuyé dans la permanente expérimentation avec les matériaux et les langages, ou dans le légat patrimonial-culturel, dont le théâtre est un des principaux dépositaires.

Dès son origine à la Grèce antique, s’expressant à ce temps-là selon la structure formelle que nous reconnaissons encore aujourd’hui, le théâtre maintient un compromis avec la communauté (polis) auquel il me renonce à aucun moment. C’est par conséquent un lieu de débat. Un espace de festivité et célébration. Et une forme de questionner la vie et le monde  où nous vivons. Il est également un facteur de cohésion et élévation sociales : le théâtre amuse et enseigne. Il met en valeur les personnes, individuel et collectivement, comme êtres humains.

THÈME
L’Odyssée de Homère est un texte classique dont la lecture provoque un vaste ensemble de questions sur les plus diverses thématiques chères aux citoyens du monde contemporain. Malgré son ancienneté, les pages de cette œuvre suscitent aujourd’hui encore le débat et la réflexion. Centré dans l'espace géographique défini par la mer Méditerranée, soulève de multiples interprétations sur les piliers dans lesquels nous ancrer la culture européenne, ainsi que les différents pays des rivages méditerranéens: le sud de l'Europe, le Moyen-Orient et du Nord Afrique.

LE PROJET
L'union de la création artistique contemporaine avec le texte classique d’Homero, le plan est développer conjointement la promotion de l'échange d'idées, l'intersection de l'expérience, la compréhension et la coopération entre les différents groupes culturels et ethniques, afin de rapprocher les peuples du nord et du au sud de la Méditerranée à travers ses cultures. Le projet comprend des ateliers, des discussions et une série de réunions qui permettront d'exploiter les synergies et les ressources endogènes de levier pour favoriser un véritable rapprochement culturel, en particulier entre les villes à partir de laquelle proviennent les organisations partenaires. Les activités incluses dans le projet sont essentiellement prévues pendant les périodes de fêtes de portefeuille, de spectacles artistiques et des réunions organisées par les partenaires, afin de faciliter la diffusion des actions, leur impact et de réplication possible, l'optimisation de la concentration des ressources, commune à ce type d'organisations .

PARTENARIATS
Le Teatro do Elefante est disponible pour remplir les formulaires et à faire de la gestion de projet, la planification de compter sur le soutien de partenaires européens et de la côte méditerranéenne, en particulier professionnelles des entités culturelles qui organisent des festivals ou autres manifestations artistiques dans le pays d'origine.
La Fondation Anna Lindh supporte un maximum de 80% des coûts du projet entre 20.000,00 et € 35.000,00. Le reste doit être co-financé par les candidats.
Pour plus de détails sur le soutien de la Fondation Anna Lindh,
suivez le lien.

La date limite des candidatures est le 16 avril, je serais reconnaissant si les personnes | entités intéressées à nous contacter rapidement.

+351 265 535 640
+351 927 751 881
+351 916 887 596

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

'Porquê Moby Dick', Fernando Casaca em Entrevista


O Teatro do Elefante apresenta no dia 10 de março, pelas 21.30h o espetáculo Moby Dick, Sobreviver!, no Cinema-Teatro Joaquim d'Almeida, no Montijo.
Fernando Casaca, intérprete e responsável pela encenação em entrevista sobre o projeto baseado na obra de Herman Mellvile.


Porquê Moby Dick, um clássico da literatura norteamericana, agora?
A história de Moby Dick, embora escrita no século XIX, perpassa os tempos. Ela é, ainda, muito atual. Não só porque as baleias continuam a sofrer com os ataques que lhes são feitos pelos canhões dos navios de caça - é preciso dizer que ainda há países para os quais é lícito caçar baleias, apesar da sua sobrevivência dever ser uma preocupação para todos nós. Mas também porque o mar e a relação que nós, os seres humanos, temos com a água, nos oceanos ou na torneira lá de casa, são questões que ganham maior importância, em cada dia que passa.

Como chegaram a esta obra, porque a escolheram para criar um espetáculo?
A produção de um espetáculo com um texto dramático criado a partir desta obra é um projeto que cresceu e ganhou vida num processo que durou mais de dois anos. A sua concretização só foi possível por se terem reunido diversas condições, sobretudo de ordem material. As primeiras leituras que fiz desta obra, a que se juntaram também cenas de dois filmes, realizados em épocas diferentes, mas ambos sobre o mesmo tema, suscitaram-me várias ideias. É uma história com muita força, muitas emoções, que sugere imagens de grande beleza. Mas que, também, nos remete para a imensa rudeza e brutalidade que é utilizada para com aqueles animais, aliás, mamíferos como nós.

A que se refere quando afirma que se reuniram as condições necessárias para esta produção do TdoE?
Refiro-me ao financiamento do Estado, por exemplo. Mas a produção de Moby Dick, sobreviver!, tal como a concebemos, exigia também vários recursos de ordem técnica. É um espetáculo que explora a imagem, em que não nos limitamos a projetar vídeos, mas onde a imagem é manipulada. No entanto, entram aqui, no campo da garantia das condições de produção, outros fatores, um pouco mais subjetivos. A maturidade da estrutura e dos seus diversos elementos, artistas, técnicos e membros da equipa de produção, é um fator muito relevante, entre os vários que nos levaram a avançar com esta produção. Vamos atingir os 15 anos de atividade, em Outubro deste ano (2012), e sentimo-nos desafiados por este texto e pelo palco. É bom lembrar, também, que se trata da primeira incursão do TdoE no terreno dos espetáculos direcionados para o chamado “teatro à italiana” e para público adulto. Começámos pelo teatro de rua, que nunca abandonámos, e percorremos outros caminhos. Andamos, sobretudo, no teatro para a infância e juventude. Este trajeto artístico levou-nos já ao teatro para bebés, aos contadores de histórias e a espetáculos para todas as idades, numa ligação estreita com as escolas. 

Então, este espetáculo não se dirige ao público jovem?
Os jovens são sempre um dos nossos públicos-alvo, não os abandonamos. Trata-se, isso sim, de alargar o leque dos nossos espetadores. A classificação etária de Moby Dick, sobreviver! está definida a partir dos 14 anos, o que ainda permite o convívio intergeracional... aliás, esta classificação respeita sobretudo o fato de o espetáculo conter imagens que podem ser pouco apropriadas para crianças. Nomeadamente, cenas da caça a baleias, que não são nada agradáveis de assistir.

Procuraram estimular esse convívio intergeracional?
Sim, claro! No espetáculo apresentam-se diversas situações retiradas da nossa própria realidade. Os temas locais cruzam os campos, digamos, mais globais da obra de Melville. É a nossa forma de interpelar o texto original. Ao longo do espetáculo podemos assistir a uma reportagem realizada por uma TV local. Representamos um diálogo, entre um velho marinheiro e uma mulher, sobre o abandono da atividade piscatória, que poderia ter acontecido numa das nossas casas, entre a geração dos nossos avós e os nossos próprios pais. Se o espetáculo proporcionar a troca de experiências entre gerações diferentes, ficamos inteiramente realizados.

Trata-se de um espetáculo com objetivos didáticos?
Isso, não. O nosso objetivo principal é apresentar um produto artístico. Procuramos divertir os espetadores. Quando digo divertir refiro-me a um processo complexo e, no entanto, tão natural como a própria vida, que consiste em provocar emoções e suscitar questões. Essas emoções podem ser de riso, de tristeza ou, mesmo, de indignação pelos acontecimentos a que assistimos. As questões são já de ordem filosófica e política. Não me refiro à filosofia, tal como muitas vezes é tratada nas escolas, como algo meramente abstrato – embora também possa gerar essas reflexões. Falo do modo simples de fazer perguntas sobre a vida e o mundo, ao alcance de qualquer um de nós. Quanto ao sentido da política refiro-me aos modos de fazer escolhas, de tomar decisões sobre a gestão das nossas vidas, sobretudo, quando nos confrontamos com a sociedade.

Juntam imagens reais a cenas de ficção. Qual é o objetivo?
Pretendemos preservar a ligação à realidade. Como já referi, consideramos o texto de Herman Melville muito atual. Capaz de se tornar atuante. E de gerar, ainda, nos nossos dias, um vivo debate de ideias. Ao juntarmos num único espaço de teatro a ficção com a realidade, e ao fazê-lo através de vários meios, simulando uma conferência e várias aulas, em que utilizamos documentos reais, por exemplo, recusamos o chamado ilusionismo do teatro. Isto é, procuramos que os espetadores saibam que estão a assistir a um espetáculo, mas que o assunto tratado é verdadeiro. E que é necessário tomar uma posição perante situações concretas, relatadas no espetáculo, que agravam as nossas vidas.

É um teatro político, por conseguinte?
É um teatro político, na medida em que tudo o que fazemos em sociedade é político, depende das nossas opções e da gestão da nossa relação com os outros e com o mundo. É político, também, porque temos opiniões sobre os assuntos que aqui são abordados e porque acreditamos que, embora os tempos sejam incertos, vale a pena continuar a lutar para que um dia venha a ser alterado tudo aquilo que consideramos nefasto para a nossa sobrevivência social. E isso passa no contexto deste espetáculo por termos, enquanto comunidade humana, outra postura em relação ao mundo natural.

A baleia é, então, um símbolo que é utilizado para chamar a atenção para outras situações preocupantes, quer com animais quer com a natureza, em geral?
Exatamente. Estamos no universo do teatro que é, antes de mais, um universo simbólico. A última cena do espetáculo remete-nos para as manifestações, para as lutas de rua. As manifestações nas ruas são formas de luta usadas em muitos contextos, quer geográficos quer sociais. Os povos saem para as ruas para chamar a atenção para os mais variados problemas, e reivindicar a mudança. Numa outra entrevista, perguntaram-me quando farei um espetáculo sobre os golfinhos do Sado. Eu considero que já está feito. Embora os golfinhos não sejam ameaçados com armas de caça, como o são atualmente as baleias, eles estão também em perigo de vida. Podem extinguir-se, no silêncio das águas dos nossos rios, se nada for alterado e os índices de poluição continuarem nos níveis atuais.

Uma última mensagem para quem, eventualmente, ainda esteja indeciso para assistir ao vosso espetáculo.
Vou procurar resumir em cinco pontos, que correspondem a igual número de boas razões para assistir a Moby Dick. As duas primeiras referem-se ao teatro, de um modo global. Devem assistir porque a) nada poderá substituir a oportunidade de participar num espetáculo ao vivo, encontrar-se face a face com os atores e b) um povo sem arte, em particular sem o seu teatro, não pode realmente ser povo. As três últimas razões estão inteiramente relacionadas com este espetáculo. Um, é um espetáculo que integra várias linguagens artísticas, pelo que quem gosta de música vai poder ouvir música, e quem gosta de imagem, vai poder ver boas imagens... Dois, o tema, as baleias e os problemas ambientais, em geral, merecem toda a nossa atenção e disponibilidade total. E três, podem sempre ter uma boa surpresa.

Ficha artística e técnica

| Versão Dramatúrgica e Encenação | Fernando Casaca 


| Intérpretes | Rita Sales | Fernando Casaca
| Figurinos |Rita Sales
| Criação e  Operação Vídeo | Leonardo Silva
| Operação Técnica | Tiago Silva | Lisandra Branco
| Comunicação | Marlene Aldeia
| Fotografia | Pedro Soares
| Insuflável | ArMeios 
_M/12 anos
___Reservas | Descontos _ 212 327 882 ou ctja@mun-montijo.pt
____Integrado nas Comemorações do Mês do Teatro


|!| Sessões para escolas dia 9 de março, mais informações contatar o TdoE.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

'Moby Dick, Sobreviver!' no Montijo


O Teatro do Elefante apresenta o espetáculo Moby Dick, Sobreviver!, no dia 10 de março, no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida, no Montijo, pelas 21.30h. O espetáculo direcionado para jovens e adultos é apresentado também no dia 9 de março, em sessões para o público escolar.

No cruzamento entre os diversos oceanos – tanto os conhecidos como aqueles que emanam da imaginação - vive Moby Dick, uma enorme baleia branca temida e misteriosa. Ela é a protagonista das velhas histórias contadas pelos marinheiros em todos os tempos ou lugares. Sob o título de Moby Dick, Sobreviver! esta produção recria a vivência de um grupo de caçadores de baleias que, conduzidos por um duro e vingativo capitão, acaba por perecer nas fundas águas de um oceano após longa, cega e cruel perseguição a Moby Dick, a baleia branca que ferira irreversivelmente o corpo e a vontade do comandante do navio.

A versão livre da obra do autor americano Herman Mellvile recriada pelo Teatro do Elefante, na linha das últimas criações da Companhia, em torno de grandes obras da literatura universal, propõe uma interpretação atualizada daquele romance. Aproveita para questionar a relação complexa entre a natureza dos homens e a vida natural. Interpela-nos, em primeiro lugar, sobre os nossos comportamentos face às baleias e aos animais em vias de extinção para, logo a seguir, nos colocar perante aquilo que fazemos e construímos em relação ao futuro comum: seremos irremediavelmente náufragos no nosso próprio planeta?

A encenação, por Fernando Casaca, explora as dimensões materiais, em especial na figura da baleia, que é representada por um insuflável de grandes dimensões. Este elemento surpreende os espetadores, agigantando-se nos cenários e no público.

Dirigindo-se para todos a partir dos 12 anos, Moby Dick, Sobreviver! é apresentado no dia 10 para o público em geral, no CTJA do Montijo. A reserva de bilhetes está disponível através dos contatos do Cinema-Teatro, 212 327 882 ou ctja@mun-montijo.pt. Os bilhetes têm o valor de 5€, aos quais são aplicados descontos de 20% para cartão de amigo e grupos superiores a 10 pessoas.


Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Já neste fim de semana - Espetáculo de Poesia para Bebés em Sever do Vouga e Barreiro


Do campo para o mar! Assim, se faz ao caminho a personagem do espetáculo. Sem contudo deixar de trabalhar de sol a sol, sem perder as raízes. Entre canções e poemas trata dos animais, cultiva a terra, e vai… ver o mar! 

Um Poema, versos, palavras soltas que ficam guardadas para usar quando for grande. Ideias, imagens e emoções são agora essenciais para se entender a si e ao mundo.

18 de fevereiro
Centro das Artes do Espetáculo de Sever do Vouga
A Flor vai ver o Mar, pelas 11.30h
Artes para Bebés - Formação para Pais e Educadores, pelas 15h
Reservas -
234 590 470 ou 
 
19 de fevereiro
Casa da Cultura, Barreiro
A Flor vai ver o Mar, pelas 11h
Reservas - 210 990 837
 
|!| Todas as atividades têm lotações limitadas, não se esqueça de reservar |!